Comentário profundo
Este verso Dhammapada foi ensinado pelo Buda no Mosteiro Jetavana, a respeito de Mahapajapati Gotami. De acordo com a história, antes de anunciar as Oito Regras Pesadas (Garudhammas), o Buda explicou amorosamente o seu significado e conteúdo à sua mãe adotiva em particular. Ela cumpriu as instruções do Buda e foi autorizada a ingressar na Sangha. Por conta disso, houve muita discussão e agitação entre a comunidade. Eles acreditavam que ela havia se ordenado sem preceptor. Ao ouvir isso, outras bhikkhunis ficaram insatisfeitas e se recusaram a realizar as cerimônias Uposatha e Pavarana com ela. Eles informaram ao Buda, que ensinou: "Eu mesmo transmiti a ela as Oito Regras Pesadas. Sou seu preceptor e professor. Alguém que abandonou todas as falhas do corpo, da fala e da mente, que superou todos os desejos - em relação a tal pessoa não se deve nutrir insatisfação." (Resumo do final da história). O ponto principal deste versículo, como vemos, é o lembrete do Buda para praticar no que diz respeito às três portas da ação: corpo, fala e mente. Espalhados pelos versos anteriores, o Buda repetidamente levantou e ensinou sobre esses três. Por que o Buda deve enfatizá-los repetidas vezes? Porque eles são de extrema importância na prática espiritual. Independentemente do método que praticamos, se não guardarmos estas três portas, a nossa prática não valerá nada. Precisamente porque são a base fundamental da libertação, o Buda nos lembra repetidamente para que nos lembremos e nos esforcemos para praticar. Aqui, resumimos novamente. As três portas têm dois aspectos: “negativo e positivo”. O aspecto negativo é simplesmente abster-se de fazer coisas erradas. Em relação à ação corporal, guardamos três coisas: 1. Não matar seres vivos, principalmente não matar humanos. 2. Não roubar ou confiscar propriedade de terceiros. 3. Não cometer má conduta sexual que quebre a castidade de outras pessoas ou destrua a felicidade de sua família. Com relação à ação verbal, o Buda nos ensina a guardar quatro coisas: 1. Não mentir – dizer o que não é, ou não dizer o que é. 2. Não falar asperamente, xingar ou abusar. 3. Não falar de maneira divisiva, causando inimizade e separação entre as pessoas. 4. Não falar levianamente, embelezar ou exagerar histórias, fazer muito com pouco. Com relação à ação mental, o Buda ensina como reduzir a ganância, o ódio e a ilusão. Isto é apenas “deter o mal” sem ainda “fazer o bem”. É apenas negativo, sem ainda ser positivo. O aspecto positivo é que devemos fazer o bem. Não apenas nos abstemos de matar, mas também encontramos todas as maneiras de proteger e ajudar os seres vivos a viverem com segurança e sem medo. No que diz respeito à propriedade dos outros, não só não planeamos roubá-la ou apreendê-la, mas também protegemos activamente os seus bens e, simultaneamente, prestamos ajuda aos deficientes, aos pobres, aos famintos e aos desamparados. Em relação ao nosso próprio corpo, nós o usamos com habilidade para beneficiar a nós mesmos e à sociedade. Em relação à mente, devemos bloquear as más intenções. Não apenas impedindo-os, mas transformando sementes malignas em sementes saudáveis. Assim, cultivando ativa e regularmente as três portas em ambos os aspectos, naturalmente alcançaremos o Nibbana pacífico aqui mesmo neste mundo. Essa é uma felicidade verdadeiramente maravilhosa. Na história acima, vemos mal-entendidos levando à dúvida. Qualquer dúvida atrapalha muito a nossa prática. Em vez de investigarem minuciosamente o assunto, as bhikkhunis duvidaram e recusaram-se a realizar Uposatha e Pavarana com Mahapajapati Gotami. Esta é uma lição que a comunidade deve levar a sério. Somente quando o Buda explicou é que eles superaram as dúvidas. Vivendo numa comunidade, especialmente espiritual, devemos evitar dúvidas infundadas e irracionais. Tais dúvidas criam facilmente desarmonia e, se não forem controladas, levam ao conflito, à divisão, à suspeita e à má vontade mútua.
Assistente IA Zen
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