Elimine os cinco. Liberte-se dos cinco. Cultive mais os cinco. O bhikkhu que está assim livre de cinco maneiras é chamado de “Oghatinna” − “alguém que atravessou a inundação”.(370) [Nota:] Os cinco a serem eliminados são: (1) A ilusão da personalidade; (2) A dúvida cética, ou “não querer entender”; (3) O falso ascetismo ou o “apego formalista a regras e rituais”; (4) O anseio pelo atendimento de desejos; e (5) A má vontade. Os cinco de que o bhikkhu deve libertar-se são: (1)O desejo de viver em mundos com forma; (2) O desejo de viver em mundos sem forma; (3) A teimosia ou obstinação; (4) A inquietação; (5) A ignorância. Os cinco a serem cultivados são: (1) A fé; (2) A atenção; (3) O ânimo destemido; (4) A meditação; e (5) A sabedoria. A palavra “Ogha” significa “inundação”. Oghatinna é alguém que atravessou a inundação dos quatro “Asovas” ou preconceitos: (1) O preconceito em favor da vida sensorial; (2) O preconceito em favor do apego à vida; (3) O preconceito em favor dos seus próprios pontos de vista; (4) O preconceito que surge da ignorância.
Elimine os cinco, abandone os cinco e cultive os cinco. O monge que superou os cinco laços é chamado de aquele que atravessou o dilúvio.
Comentário profundo
Este verso faz parte de uma série ensinada pelo Buda em Jetavana a respeito de um grande grupo de bhikkhus, particularmente a história de Sona Kutikanna e sua mãe. Enquanto Sona estava fora, bandidos saquearam a casa de sua mãe, mas ela permaneceu calma, continuou ouvindo o Dhamma e não demonstrou apego à sua riqueza. O chefe dos bandidos ficou tão impressionado que devolveu tudo, e toda a gangue mais tarde foi ordenada pelo Venerável Sona. O Buda então ensinou este verso, que delineia o caminho de um monge que corta os cinco grilhões inferiores (desejo pelo reino sensual, má vontade, visão de identidade própria, apego a ritos e rituais, dúvida), abandona os cinco grilhões superiores (desejo pelo reino da forma, desejo pelo reino sem forma, inquietação, presunção, ignorância), cultiva as cinco faculdades (fé, energia, atenção plena, concentração, sabedoria) e supera os cinco apegos (ganância, ódio, ilusão, presunção, visões erradas). Tal monge é chamado de aquele que atravessou o dilúvio do sofrimento e alcançou a libertação.
Este verso do Dhammapada descreve o caminho para a libertação. "Eliminar os cinco" refere-se aos grilhões inferiores que nos prendem ao samsara, como a ilusão do eu e a má vontade. "Libertar-se dos cinco" significa abandonar os grilhões superiores, como o desejo por existências com ou sem forma e a ignorância. "Cultivar os cinco" são as faculdades espirituais essenciais: fé, atenção plena, energia, concentração e sabedoria.
Um bhikkhu que cumpre essas três etapas é chamado de "Oghatinna", aquele que atravessou a "inundação" do sofrimento e dos preconceitos, alcançando a libertação. Este ensinamento destaca a importância da prática diligente para superar os apegos e desenvolver qualidades que levam à iluminação.
Como você pode aplicar esses princípios em sua própria prática diária?
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