Comentário profundo
Esses dois versos foram ensinados pelo Buda no Mosteiro de Jetavana, a respeito de um jovem monge chamado Culla Dhanuggaha Pandita, que significa “o arqueiro habilidoso”. Um dia, depois da ronda de esmolas, um jovem monge foi à casa de uma leiga buscar água. A jovem, ao vê-lo, ficou apaixonada e o convidou a voltar sempre que precisasse de água. A monge visitava-a com frequência e ela oferecia vários alimentos, aproveitando isso como uma oportunidade para conversar. Depois de várias conversas íntimas, o monge considerou despir-se para casar-se com ela. Ele ficou em conflito – parte dele desejava continuar praticando, outra parte sentia-se desanimada com o ascetismo. Sua mente estava dividida e indecisa. Outros monges relataram isso ao seu professor, que então informou o Buda. O Buda repreendeu o monge, dizendo que, como renunciante, ele deveria permanecer na libertação pacífica, mas permitiu que as impurezas o afligissem. O Buda então revelou sua história passada: Em uma vida passada, Culla Dhanuggaha era um arqueiro habilidoso. Seu professor lhe deu sua filha em casamento. Um dia, ele matou cinquenta bandidos com cinquenta flechas. Ficando sem flechas, ele agarrou um bandido pela cabeça e pediu que sua esposa trouxesse sua espada. Ao ver o bandido, ela se apaixonou e entregou a espada para ele. O bandido matou o arqueiro e levou a mulher embora, mas depois a abandonou, temendo que ela o matasse como havia matado o marido. Sakka, o rei dos deuses, desceu para zombar da mulher por sua infidelidade, aparecendo como um chacal, um peixe e um pássaro. A mulher ficou profundamente humilhada. O Buda concluiu: “Naquela vida, você era o jovem arqueiro; aquela mulher é a mesma que lhe ofereceu água; o rei Sakka era eu mesmo”. O Buda então pronunciou estes versos. No versículo 349, o Buda ensinou que aqueles que são afligidos por maus pensamentos desejam constantemente mais prazeres sensuais. Todos os desejos humanos surgem de pensamentos. Na consciência de cada pessoa estão sementes de desejos benéficos e prejudiciais. Se surgir um desejo saudável, nossas palavras e ações tenderão para o bem, beneficiando outros. Por outro lado, quando surge um desejo prejudicial, criamos sofrimento para os outros. Os praticantes devem nutrir desejos saudáveis enquanto contemplam e erradicam constantemente os desejos prejudiciais. O pensamento humano é como um rei. Um rei virtuoso e sábio traz paz e prosperidade; um rei ignorante e cruel traz caos e perigo. Da mesma forma, se nossos pensamentos forem saudáveis, eles comandarão o corpo e a fala para beneficiar os seres. Se forem prejudiciais, causam sofrimento. Os maus pensamentos acabarão por destruir aquele que os abriga, como a ferrugem que consome o ferro do qual nasceu. Portanto, o Buda disse: “O aumento dos desejos sensuais apenas fortalece os laços da pessoa”. No versículo 350, o Buda ensinou que se deve contemplar constantemente a impureza para erradicar o desejo, para que Mara não o prenda. Ao contemplarmos continuamente o corpo e a mente como impuros, instáveis e impermanentes, o nosso apego à beleza e às coisas materiais pode diminuir, acabando por cortar o desejo pela raiz. Os psicólogos nos dizem que o prazer físico é passageiro – passa rapidamente, deixando para trás a fadiga, a apatia e o sofrimento. Esta é uma verdade inegável. Os sábios veem claramente a verdadeira natureza das coisas e não são afogados pelas ondas da paixão. Ao aplicar a sabedoria e manter tal contemplação, pode-se escapar da escravidão do desejo. A história acima mostra como as conexões cármicas abrangem muitas vidas. Mesmo com a oportunidade de renúncia, as tendências latentes de desejo de vidas passadas não são facilmente transformadas. Sem o cultivo profundo do poder espiritual, é difícil escapar da rede de desejos de Mara. Os desejos conflitantes do monge entre libertação e sensualidade são uma experiência humana comum. Felizmente, ele teve a sorte cármica de encontrar um grande professor espiritual – o próprio Buda – que o salvou de se afogar no desejo e, por fim, o levou à libertação. Quantos praticantes hoje se encontram em situações semelhantes, mas não têm a rara sorte de conhecer um professor tão bom? Tomando isto como lição, devemos refletir sobre nós mesmos e esforçar-nos diligentemente para nos salvarmos através do autodespertar – esse é o melhor caminho para a libertação.
Assistente IA Zen
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