Comentário profundo
Estes dois versos foram ensinados pelo Buda no Monastério Jetavana, relativos aos juízes. Segundo a história, “Um dia, os monges foram buscar esmolas no portão norte de Savatthi e retornaram ao mosteiro passando pelo centro da cidade. Naquela época começou a chover e os monges se abrigaram em um tribunal. Lá eles viram juízes aceitando subornos e confiscando ilegalmente a propriedade das pessoas. Os monges pensaram consigo mesmos: 'Estes funcionários são injustos; pensávamos que eles eram juízes justos e incorruptíveis.' Quando a chuva parou, os monges voltaram ao mosteiro, foram até o Buda e contaram-lhe o que tinham acabado de testemunhar. O Buda ensinou: 'Monges, uma pessoa que sucumbe aos desejos básicos e julga arbitrariamente não pode ser chamada de justa. Somente aqueles que investigam minuciosamente os erros de um caso e lidam com esses erros corretamente, sem arbitrariedade, são chamados de justos.' E naquela ocasião o Buda pronunciou estes dois versos." (Trecho de The Dhammapada Story Collection, Volume III, Vien Chieu, p. 85) Este capítulo é chamado “Estabelecido no Dhamma” (Dhammattha). Estar estabelecido no Dhamma significa agir corretamente, permanecer e servir o Dhamma; portanto, também é traduzido como “servir ao Dhamma”. A precipitação (sahasa) inclui os significados de descuido, impetuosidade e arbitrariedade. Aqui refere-se a visões erradas que surgem da influência da ganância, do ódio, da ilusão e do medo. Se um praticante se envolve em ações imprudentes e erradas, fala descuidadamente, carece de humildade e respeito e não usa palavras amorosas na conduta e na comunicação, então essa pessoa ainda não é um verdadeiro praticante. Isso mostra que eles ainda têm muitas tendências habituais grosseiras e más. Viver sem restrições, sem qualquer disciplina moral – como pode tal pessoa ser digna de ser um praticante? Um verdadeiro praticante deve praticar sinceramente os preceitos puros, com uma conduta correspondente à realização, permanecer constantemente na atenção plena e na contemplação correta, e sempre purificar o corpo e a mente. Acima de tudo, devem cultivar a sabedoria para distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso. O Buda disse que uma pessoa sábia deve viver de acordo com o verdadeiro Dhamma. Para viver de acordo com o verdadeiro Dhamma, o praticante precisa respeitar e manter os preceitos que recebeu. Caso contrário, não poderão alcançar uma vida estável e feliz para si e para os outros. A história acima mostra que mesmo na época do Buda ocorriam julgamentos injustos. Os juízes da época já sabiam aceitar suborno do povo. Claramente, faltava prática e treinamento em meditação e atenção plena a esses juízes. Eles confiavam que a lei estava em suas mãos, com plenos poderes para usá-la como desejassem. Eles poderiam dobrar ou endireitar, girá-lo em qualquer direção. A punição dependia da quantidade de dinheiro. Quem os subornasse com mais habilidade venceria o caso. Aqueles que não tinham dinheiro tiveram que engolir a amargura. Mesmo que uma pessoa estivesse completamente certa, estes juízes ainda assim decidiriam contra ela ilegalmente. Eles julgaram pela lei da selva, de acordo com o poder do dinheiro. Esse foi o caso nos tempos antigos; e hoje? Afinal, as pessoas do passado tinham mais consciência moral do que hoje, mas tais injustiças ainda ocorriam! Não admira que hoje as pessoas valorizem menos a consciência moral do que o algodão! Isso mostra como os desejos raciocinam cegamente. Claramente, o sangue corrupto do suborno tem sido transmitido desde os tempos antigos. Quando os humanos apareceram na terra, esse sangue corrupto já existia. Mas talvez no passado, antes da civilização, o suborno e a corrupção não fossem tão sofisticados e ocultos como hoje. Depois de testemunhar esse julgamento injusto, os monges relataram-no ao Buda. O Buda disse: “Uma pessoa que sucumbe aos desejos básicos e julga arbitrariamente não pode ser chamada de justa. Somente aqueles que investigam minuciosamente os erros de um caso e lidam com esses erros corretamente, sem arbitrariedade, são chamados de justos." Com este ensinamento, o Buda advertiu aqueles que exploram lacunas na lei para distorcer e punir injustamente. Este é um grande perigo para a governação e administração do governo de um país. Que os juízes e magistrados leiam cuidadosamente as palavras do Buda acima, para que, ao julgar, possam segurar a balança e aplicar a tinta uniformemente, de acordo com leis justas – pois essa é a expressão tanto da sua função como da sua consciência humana. Se o fizerem, as pessoas comuns, aquelas de baixo estatuto e de voz fraca, ficarão profundamente gratas a eles.
Assistente IA Zen
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