Aquele que cita os textos sagrados mas é preguiçoso e não os aplica na vida é como um homem do campo que conta as vacas alheias. Ele não partilha as bênçãos da Vida Correta.
Embora ele recite os textos sagrados, mas não aja de acordo, esse homem desatento é como um vaqueiro que apenas conta as vacas dos outros - ele não participa das bênçãos de uma vida santa.

Comentário profundo

O propósito de recitar os ensinamentos do Buda é compreender o seu significado profundo e aplicá-los na prática diária; só então traz benefícios. Recitar os sutras extensivamente, mas com a mente distraída, ou simplesmente fora da rotina, não traz nenhum benefício verdadeiro e pode até ter um efeito adverso. Muitos praticantes concentram-se apenas na quantidade de recitações para obter mérito, contando o número de sutras lidos. Quanto mais recitam, mais se sentem superiores aos outros, o que gera arrogância. Na história Zen, há uma famosa história de um monge que foi prestar homenagem a um grande mestre Zen. Ao se curvar, a cabeça do monge não tocou o chão. O mestre o repreendeu, perguntando que grande conquista ele estava abrigando para deixá-lo tão orgulhoso. O monge respondeu orgulhosamente que havia recitado um sutra importante três mil vezes. O mestre então lhe ensinou uma lição profunda: recitar textos sem compreender sua essência e abrir mão do orgulho é apenas perseguir sons. A verdadeira prática é iluminar a mente. Percebendo seu erro, o monge compreendeu que sem compreender a verdade última, recitar milhares de vezes é inútil. Se alguém recita sutras apenas com a boca, sem praticar genuinamente os ensinamentos, é uma recitação vazia. Tal pessoa é como um vaqueiro contratado que apenas conta as vacas para o dono, mas nunca prova o seu leite. Ou, em termos modernos, como um caixa de banco que conta dinheiro o dia todo, mas não possui nada; eles recebem apenas um salário miserável pelo seu trabalho. Por outro lado, mesmo que não recitemos muitos sutras, mas apliquemos diligente e estritamente os ensinamentos fundamentais do Buda em nossas vidas diárias, isso será suficiente para a libertação. O versículo 20 explica claramente o verdadeiro benefício da recitação. O praticante deve praticar de acordo com os ensinamentos. Se alguém apenas recitar – como se estivesse tentando ganhar mérito ou recitar para o Buda ouvir – mas não praticar, uma vida inteira de recitação não trará nenhum benefício. Alguns recitam desde a juventude até a velhice, mas seus três venenos (ganância, raiva e ignorância) permanecem inteiramente intactos. Por que? Porque o Buda nos ensinou a recitar para que possamos compreender e erradicar a ganância, a raiva e a ignorância, e não para implorar por bênçãos. É como um doente que recebe uma receita médica; eles devem comprar e tomar o remédio para serem curados. Se ficarem com a receita e lerem o dia todo sem tomar o remédio, não podem culpar o médico por não melhorar! Mais absurdo ainda seria ler a receita em voz alta para o médico, na esperança de agradá-lo. O médico apenas pensaria que o paciente é tolo. Se não tivermos cuidado, agimos como aquele paciente tolo. Pegamos os sutras falados pelo Buda e os cantamos de volta para Ele, às vezes até treinando nossas vozes para soarem musicais, pensando que o Buda nos elogiará. O Buda só sentiria pena de nós! Esses dois versículos são um profundo alerta em relação ao estudo e recitação das escrituras. O Buda ensinou claramente que tipo de recitação é benéfica para a prática espiritual e qual não é. O resto depende da nossa aplicação. Portanto, ao recitar, devemos ler devagar e com clareza, refletindo sobre cada palavra para compreender os ensinamentos. Se houver algo que não entendemos, devemos procurar orientação de amigos espirituais conhecedores. Depois disso, devemos nos esforçar para aplicá-lo em nossa vida diária. Só então obteremos benefícios reais e seremos verdadeiramente alguém que sabe recitar sutras. Para os monásticos que recitam em uma congregação, são usados ​​instrumentos para manter o ritmo, mas o princípio central permanece o mesmo. A ênfase aqui está na essência de recitar de acordo com o Dharma versus meramente seguir rituais sem compreensão.

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