Comentário profundo
Este verso do Dhamma foi ensinado pelo Buda no Monastério Jetavana, relacionado ao Venerável Sariputta. Segundo o relato, o Venerável Sariputta, junto com quinhentos monges, passou o retiro chuvoso de três meses no mosteiro. Leigos devotos comprometeram-se a oferecer esmolas durante o retiro. Após a cerimônia do Uposatha, algumas oferendas permaneceram não coletadas. Antes de deixar o mosteiro para encontrar o Buda, Sariputta instruiu os monges restantes a distribuir as oferendas destinadas aos monges mais jovens e noviços. Tendo dado estas instruções, ele partiu. Ao ouvir isso, alguns monges especularam que Sariputta ainda nutria um leve desejo de reter todas as oferendas para si. O Buda, notando a discussão deles, perguntou sobre o que eles estavam falando. Eles explicaram a situação. O Buda disse: 'Monges, meu filho está livre de desejos. Na sua mente, ele apenas pensa: que os doadores não percam o seu mérito, e que os monges e noviços mais jovens não percam as preciosas esmolas.' Portanto, ele deu as instruções como fez. Os prazeres mundanos são universalmente tentadores: riqueza, beleza, reputação, comida e sono são os cinco prazeres que a maioria dos humanos deseja. Quando os desejos não são realizados, surgem a frustração e a raiva. Somente aqueles que alcançaram a realização espiritual veem as coisas mundanas como ilusórias e transitórias, como nuvens sopradas pelo vento ou sonhos. Tal percepção impede o apego; vive-se no meio do mundo, mas não se deixa levar por ele. Este é o estado de “viver no mundo sem ser contaminado por ele”, transcendendo as compulsões dos cinco desejos. As pessoas comuns, oprimidas pelas impurezas, sucumbem a todos os desejos mundanos, sabendo bem que o desejo excessivo traz sofrimento, mas permanecendo escravizados a ele. Somente aqueles cujos corações são puros como a neve podem afirmar estar livres do desejo. Tais pessoas, diz o Buda, são verdadeiramente nobres. Apesar de Sariputta ter alcançado o estado de Arahant e estar livre de impurezas, outros erroneamente acreditaram que ele ainda tinha desejo. Ele não guardou nenhuma oferta para si; ele instruiu uma distribuição justa, especialmente para monges e noviços mais jovens. Mesmo ao receber oferendas, ele garantiu a partilha equitativa, refletindo um dos seis princípios de harmonia ensinados pelo Buda, conhecidos como “benefícios harmonizadores”. No entanto, a sua conduta ainda foi mal interpretada e criticada por outros. Se até mesmo um praticante disciplinado é mal compreendido, quanto mais as pessoas comuns. Felizmente, o Buda esclareceu e afirmou a liberdade de Sariputta em relação ao desejo, encerrando a fofoca. Esta é uma lição: não projete suas próprias tendências nos outros e cometa erros graves ao assumir o desejo onde não há nenhum.
Assistente IA Zen
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