Comentário profundo
Estes três versos foram ensinados pelo Buda a Māra enquanto o Abençoado residia em reclusão nas montanhas do Himalaia. A história conta que, durante o período de prática solitária do Bodhisatva nas Montanhas Nevadas, os governantes governaram duramente e as pessoas sofreram punições cruéis. Vendo isso, o Abençoado sentiu grande compaixão e refletiu: “Por que não deveria haver um governo de justiça e retidão, sem matança, conquista ou sofrimento?” Māra percebeu esse pensamento surgindo na mente do Buda e presumiu que o asceta Gotama estava considerando a realeza. Ele pensou: “Isso pode se tornar uma abertura para distração. Se ele assumir o poder, posso tentá-lo.” Māra então foi até o Buda e disse: “Venerável Senhor, deixe o Abençoado governar. Deixe o Supremo governar. Não haverá matança, nem conquista, nem sofrimento, apenas justiça e retidão.” O Buda perguntou: “Māra, o que você vê em mim que o faz falar assim?” Mara respondeu: “Um Buda pode realizar grandes milagres. Se você ordenar que o Himalaia se transforme em ouro, ele se tornará ouro. Com tal poder, toda essa riqueza pode ser usada para governar, e vocês governarão com justiça.” O Buda respondeu que o desejo humano nunca é satisfeito, mesmo por montanhas de ouro. Sabendo disso, os sábios trilham o caminho reto. Quem viu a causa do sofrimento não pode confiar a vida ao prazer sensual. Deixe aquele que entende a raiz do nascimento e da morte treinar e domar a si mesmo, cortando a rede do desejo que prende os seres por inúmeras vidas. O Buda então avisou Māra: “Māra, digo-lhe mais uma vez: não sou como você.” Desses versículos, o versículo 331 apresenta quatro tipos de felicidade. Em primeiro lugar, é uma alegria encontrar um amigo depois de uma longa separação. Num nível normal, quando um querido companheiro que compartilhou dificuldades conosco é reencontrado após uma longa ausência, a alegria é profundamente comovente. Num nível mais profundo, o “amigo” também aponta para o amigo interior sem nome: a natureza desperta, a mente original que há muito foi esquecida através de vidas sem começo. Quando alguém de repente reconhece esta verdadeira natureza novamente, nenhuma felicidade mundana pode ser comparada. Em segundo lugar, é uma alegria ter apoio suficiente no momento certo. A suficiência tem significados materiais e espirituais. A suficiência material é saudável quando é conquistada através de esforço honesto e meios de subsistência justos, e não através de exploração ou injustiça. A riqueza obtida prejudicando os outros não é suficiência oportuna, mas injustiça. A suficiência espiritual é ainda mais valiosa: a abundância de moralidade, virtude e liberdade interior. A abundância material é frágil e impermanente, mas a abundância moral e espiritual traz paz duradoura e verdadeira felicidade. Terceiro, é uma alegria ter um carma saudável no final da vida. Através do cultivo de boas ações no corpo, na fala e na mente, a pessoa enfrenta a morte sem medo, sabendo que seus hábitos saudáveis o levarão adiante. Se, perto da morte, alguém for apoiado por amigos nobres e puder dar origem a uma mente saudável, isso se tornará uma condição poderosa para um renascimento pacífico. Caso contrário, a pessoa poderá ser carregada por um carma doloroso. Quarto, é uma alegria estar livre do sofrimento. Esta é a felicidade mais direta. No entanto, o Buda nos aponta a raiz do sofrimento. O sofrimento aparece em muitas formas, mas é resumido como os três sofrimentos – a dor comum, o sofrimento da mudança e o sofrimento inerente à existência condicionada – e os grandes sofrimentos do nascimento, envelhecimento, doença, morte, separação do que é amado, não obtenção do que é desejado, encontro com o que não é apreciado e o fardo dos cinco agregados. Tudo isso surge da ignorância e das paixões aflitivas. Quando cessam as causas da aflição, cessam os frutos do sofrimento; esta é a paz do Nirvana. O versículo 332 também ensina quatro tipos de felicidade. É uma alegria honrar e cuidar da mãe. Para aqueles cuja mãe ainda está viva, esta é uma grande bênção. O amor e o sacrifício de uma mãe são imensuráveis. Deve-se cuidar dela enquanto ela estiver viva, em vez de lamentar a negligência depois que ela partir. Também é uma alegria honrar e cuidar do pai. Ambos os pais deram vida, proteção e orientação. Retribuir sua gentileza é um dever nobre. Os cuidados não devem ser meramente materiais; deve ser oferecido com respeito, gratidão e coração sincero. É uma alegria honrar e apoiar os verdadeiros renunciantes, aqueles que vivem pela disciplina e pela virtude. As ofertas devem ser feitas de acordo com a capacidade da pessoa, mas o fundamento essencial é a reverência. Sem respeito, dar pode tornar-se orgulho; com respeito, tanto o doador quanto o receptor se beneficiam. É uma alegria honrar os nobres, aqueles que desenraizaram as impurezas. Seres nobres incluem Budas, bodhisattvas, arahants e todos os que entraram no caminho do despertar. Apoiar tais seres com sinceridade traz grande mérito. O versículo 333 ensina mais quatro tipos de felicidade. Primeiro, é uma alegria guardar os preceitos mesmo na velhice. Embora a idade possa enfraquecer a memória e a força, quem ainda preserva a disciplina já recebida desfruta da felicidade da clareza e da estabilidade moral. Algumas pessoas mantêm uma disciplina rígida quando jovens, mas a abandonam na velhice por causa do apego ao corpo e ao conforto. Tal prazer não é a alegria do Dharma. A verdadeira alegria é a alegria da prática, da pureza interior e da alegria espiritual. Segundo, é uma alegria estabelecer a fé correta. A fé correta é o oposto da crença cega ou equivocada. Significa confiança nas Três Jóias, no carma e na lei de causa e efeito. Com tal fé evita-se o mal, cultiva-se o bem e não se cai nos caminhos do sofrimento. Isso traz felicidade agora e no futuro. Terceiro, é uma alegria ser dotado de sabedoria. Sem sabedoria, a prática espiritual é como andar nas trevas. A sabedoria distingue o certo do errado, o verdadeiro do falso e o saudável do prejudicial. Protege do erro e conduz o praticante à libertação. Quarto, é uma alegria não fazer o mal. Quem comete o mal não pode ter paz verdadeira, porque o medo, o remorso e as consequências das ações prejudiciais acompanham de perto. Um ato violento pode trazer uma breve satisfação de raiva, mas depois produz sofrimento no corpo e na mente. Portanto, quem busca a felicidade nesta vida e nas vidas futuras deve abster-se do mal. A história também revela vários pontos importantes. Primeiro, quando o Buda formou um pensamento, Māra percebeu-o. Isto sugere que seres de reinos sutis podem perceber nossos movimentos mentais. Um pensamento deixa uma marca na consciência, assim como uma imagem aparece quando imaginamos um objeto. Quando a mente está livre do apego e não deixa rastros, tais seres não têm abertura. Um praticante cuja mente está estabelecida desta forma aproxima-se da libertação. Segundo, Māra nos tenta quando surgem pensamentos prejudiciais. Uma única intenção maligna pode se tornar uma abertura para influências prejudiciais. Portanto, quando surge um pensamento prejudicial, ele deve ser eliminado imediatamente antes de se tornar fala ou ação. Terceiro, devemos manter a visão correta e a atenção plena. Com atenção plena, reconhecemos pensamentos errados e pecaminosos, especialmente o desejo por fama, ganho e poder. A raiz disso é a ignorância. Não devemos permitir que a ignorância nos comande. Somente a sabedoria pode iluminar e dissipar a ignorância. Quando a ignorância e a aflição não surgem mais, o sofrimento e a escravidão terminam.
Assistente IA Zen
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