Um verdadeiro brâmane sai ileso ainda que tenha matado pai, mãe e dois reis da casta sacerdotal, e ainda um homem notável. 30 (295) guiada por mentiras e falsidades graves. Niraya, o termo usado no original páli do “Dhammapada”, também pode ser traduzido por “purgatório”, e é um “estado de sofrimento” cuja intensidade corresponde à força dos erros cometidos. (NT) 29 Kleshas (sânscrito) – amor à vida, e também miséria, sofrimento. (NT) 30 A nota da edição norte-americana ao versículo anterior mostra que o significado desta passagem é simbólico. Cabe acrescentar que há trechos semelhantes nas escrituras judaicas e cristãs. No livro do Êxodo, 32:27-29, Moisés diz a seus seguidores, em nome de Jeová: “Cinja cada um a espada sobre o lado, e passe e torne a passar pelo acampamento de porta em porta, e mate, cada qual, a seu irmão, a seu amigo, a seu parente”. O absurdo, do ponto de vista de uma leitura literal, é evidente, até porque um dos mandamentos de Moisés é “Não matarás”. Em Mateus, 10: 34-39, Jesus alerta: “Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e 35
Ao matar a mãe e o pai figurativos – desejo e orgulho – superando as duas visões bramânicas extremas e removendo o quinto obstáculo mental, a dúvida, o praticante se volta para o estado sem tristeza do arahant.

Comentário profundo

Estes dois versos foram ensinados pelo Buda no Mosteiro Jetavana, a respeito do Venerável Lakuntaka Bhaddiya. De acordo com a história, certa vez o Abençoado estava em Jetavana quando vários monges vieram visitá-Lo. Depois de prestar homenagem, eles respeitosamente sentaram-se de lado. Naquele momento, o Venerável Lakuntaka Bhaddiya passou por perto. O Buda, percebendo as mentes precisas dos monges, olhou para Lakuntaka e disse à assembléia: 'Olhem lá! Esse monge matou pai e mãe e libertou-se do sofrimento.' Os monges ficaram surpresos e perguntaram: 'Bhante, o que você quer dizer?' O Buda então explicou o significado através destes dois versos. Depois de ouvir, os monges alcançaram o estado de arahant. O ensinamento central destes versos é que aqueles que buscam a libertação devem eliminar a ignorância e o desejo, pois estas são as forças que levam os seres a criar carma e a renascer no ciclo de sofrimento. O Buda também ensinou a “destruir as duas linhagens brâmanes”, significando superar duas visões extremamente erradas: o “eternalismo”, que postula uma alma imortal, e o “aniquilacionismo”, que afirma a extinção completa após a morte. 'Destruir o reino' refere-se a romper o apego às doze bases dos sentidos: as seis faculdades (olho, ouvido, nariz, língua, corpo, mente) e os seis objetos dos sentidos (forma, som, olfato, paladar, tato, fenômenos). 'Assuntos' indica prazeres mundanos. 'Voltar-se para o Brâmane livre de tristeza' aponta para o estado de arahant. “Destruir o tigre da dúvida” significa eliminar o quinto dos cinco obstáculos mentais – a dúvida – juntamente com o desejo, a aversão, a preguiça e o torpor, a inquietação e o remorso, que obstruem a prática da meditação. Particularmente, a dúvida obstrui a confiança na compreensão da verdade. Embora a história possa parecer simples, a prática real é extremamente desafiadora. Quando o Buda apontou Lakuntaka como alguém que matou pai e mãe, os monges ficaram inicialmente chocados, pois tais atos são considerados a mais grave das ofensas. No entanto, ao ouvirem o ensinamento completo nestes versos, suas mentes ficaram claras, todas as dúvidas foram dissipadas e eles imediatamente alcançaram o estado de arahant.

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