Para aquele que é paciente como a terra, firme como o raio de Indra8 e semelhante a um lago livre de lama – para ele não existe a roda de nascimentos e mortes.
Não existe mais existência mundana para o sábio, que, como a terra, não se ressente de nada, que é tão firme como um pilar alto e tão puro como um poço profundo livre de lama.

Comentário profundo

Este verso foi falado pelo Buda no Mosteiro Jetavana, em conexão com o Venerável Śāriputra. Antes de partir em uma viagem para buscar esmolas, Śāriputra contava os monges que o acompanhariam, mas inadvertidamente omitiu um monge. Aquele monge ficou furioso e acusou falsamente o Buda. O Buda chamou o monge para perguntar sobre a causa e o monge explicou-se. Outros monges também falaram, esclarecendo a situação, e o Buda percebeu que o monge realmente havia feito uma acusação falsa. A partir deste incidente, o Buda ensinou a lição contida neste verso. O versículo ilustra três metáforas para descrever um Arahant cuja mente está livre de raiva: 1. Terreno plano. 2. Um pilar firme (unda-yet-la). 3. Um lago profundo sem lama. Estas metáforas enfatizam a virtude de um praticante que erradicou toda a raiva: quando as contaminações desaparecem, mesmo diante da adversidade ou dos obstáculos, a mente permanece calma e inabalável. Isso demonstra o resultado da prática diligente. Śāriputra, um dos principais discípulos do Buda, foi incumbido de grandes responsabilidades e funcionou quase como um líder dentro da Sangha, perdendo apenas para o Ancião Mahākāśyapa. Mahākāśyapa era virtuoso e extremamente sábio, um mestre do debate que nunca foi derrotado e apoiou grandemente o Buda no ensino e na liderança da comunidade. Apesar da virtude e habilidade excepcionais de Śāriputra, a inveja e as tentativas de prejudicá-lo ainda existiam, entre outras. Isto realça que em qualquer época, enquanto as pessoas não eliminarem a ganância, o ódio e a ilusão, as disputas e as críticas continuam – mesmo entre aqueles que se dedicam ao mesmo professor, partilhando o mesmo ambiente e ideais. A história também mostra que, além de Śāriputra, até o Buda enfrentou oposição persistente de outros como Devadatta, e alguns monges procuraram constantemente formas de obstruí-lo, mas a lei cármica sempre prevalece: o dano retorna ao transgressor, como uma lei natural de causa e efeito que não pode ser alterada. A história ensina uma lição vital: os maliciosos acabarão por enfrentar as consequências dos seus actos, enquanto os virtuosos não podem ser prejudicados, desde que possuam profunda paciência. Śāriputra exemplificou isso; sua mente estava calma apesar das más intenções do monge, não demonstrando raiva e estendendo perdão e desculpas, demonstrando um grau extraordinário de excelência moral e compaixão. O Buda elogiou-o, comparando a sua mente a uma terra perfeitamente nivelada, inabalável pela turbulência. A metáfora do pilar representa sua determinação inabalável e firme, e o lago profundo e livre de lama significa a mente tranquila e clara de alguém que erradicou todas as impurezas. Assim, quem alcança tal estado transcendeu o ciclo de nascimento e morte. Em resumo, este versículo exalta a imagem de um praticante iluminado e liberado que permanece inalterado por elogios ou culpas, ao mesmo tempo que lembra a todos que não guardem malícia para com os praticantes sinceros. Além disso, dentro da Sangha, diferentes níveis de realização resultam em condutas variadas: aqueles com práticas mais profundas devem orientar e perdoar os menos avançados, promovendo a harmonia e o benefício dentro da comunidade. Sem tal compreensão, a prática prolongada ainda pode não produzir a libertação. Śāriputra serve de modelo de como lidar com aqueles que cometem erros com paciência, sabedoria e compaixão.

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