Ele é chamado de brâmane porque afastou o pecado. Ele é chamado Samana porque vive com serenidade. Ele é chamado de Pabbajita porque afastou o que é mundano. (388) [Nota:] “Pabbajita” deriva de “Pabbaja”, “aquele que vai adiante”, isto é, aquele que vai adiante deixando a vida de família em troca da vida sem lar. Assim ele se torna um noviço, escutando os ensinamentos de Buddha do ponto de vista da sua aplicação. No estágio de ouvinte, ele é conhecido como “shravaka”. Quando pratica e aplica em sua vida os ensinamentos ele é um “shramana”. Quando consegue vencer toda tendência para o mal, ele é chamado de brâmane. Ele ouve, ele pratica, e alcança a iluminação.
Por ter descartado o mal, ele é chamado de homem santo. Por ter uma conduta serena, ele é chamado de recluso. E porque renunciou às suas impurezas, ele é chamado de renunciante.

Comentário profundo

Este verso do Dhammapada foi ensinado pelo Buda no Monastério Jetavana, a respeito de um certo bhikkhu. De acordo com a história: “Um certo brâmane foi ordenado por outro professor, não o Buda, e então pensou: 'O asceta Gotama chama seus discípulos de bhikkhus. Eu também mereço ser chamado assim.' Então ele foi até o Buda e levantou o assunto. O Buda disse: 'Eu não chamo ninguém de bhikkhu pela razão que você deu. Eu chamo de bhikkhu apenas aquele que abandonou as corrupções e contaminações – aquele que ‘saiu’.” (Extraído de Histórias de Dhammapada, Vol. III, p. 330). Neste verso, o Buda levanta claramente três pontos: 1. "Tendo abandonado todas as más ações, ele é chamado de homem santo (brahmana)." Aqui, o Buda confia na qualidade da prática espiritual, não em formas ou títulos externos. Não importa quão grandioso seja um título, se faltar conduta moral, esse título é vazio, uma piada, apenas uma fachada para enganar os outros. Um verdadeiro praticante não necessita de formas externas; em vez disso, o que importa é a qualidade do conteúdo – um conteúdo de alta qualidade. Essa é a qualidade da virtude moral, de erradicar as impurezas e de viver uma vida de paz e felicidade. 2. "Aquele cuja conduta é pura é chamado de recluso (samana)." No Sutra de Quarenta e Dois Capítulos, o primeiro capítulo inclui o ensinamento do Buda: "Aqueles que deixam o lar e a família, reconhecem sua própria mente, compreendem sua verdadeira natureza e realizam o Dharma incondicionado são chamados de contemplativos (samana). Eles defendem constantemente os 250 preceitos, vivem uma vida pura, praticam as Quatro Nobres Verdades e se tornam arahants..." Também no mesmo sutra, capítulo três: "Raspar a barba e o cabelo para se tornar um recluso, aquele que recebe o Dharma deve renunciar às riquezas mundanas, buscar apenas o suficiente, comer uma refeição por dia ao meio-dia, dormir uma noite debaixo de uma árvore, tomando cuidado para não voltar atrás - saiba que o que torna as pessoas tolas é o apego e o desejo." Através destas duas passagens, o Buda explica claramente a prática de um recluso. A prática de um recluso deve penetrar internamente na fonte da mente e externamente manter conduta e preceitos dignos. Puro por dentro e por fora - só então alguém é digno do nome de 'recluso'. 3. "Tendo removido as impurezas, ele é chamado de renunciante (pabbajita)." Neste ensinamento, devemos prestar atenção à palavra “impurezas”. Impurezas significam sujeira, contaminação, impureza. Um renunciante deve distanciar-se de dois tipos importantes de sujeira: 'mácula de contaminação e mácula de subsistência'. Ao distanciar-se das impurezas, a mente fica em paz. Através da paz mental, a vida se torna renovada e feliz. 'Mácula de subsistência' significa que um renunciante não deve sustentar-se através de meios de subsistência errados. No Sutra sobre o Legado do Buda, o Buda ensina claramente sobre esses meios de subsistência errados: comércio, fisionomia, leitura da sorte, adivinhação, fazer encantos e feitiços, etc.

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