A moderação nos olhos é boa; boa é a moderação no ouvido; a moderação no nariz é boa; boa é a moderação na língua; a moderação no corpo é boa; boa é a moderação na fala; a moderação na mente é boa; boa é a moderação em todas as coisas. Um bhikkhu que é moderado em todas as coisas está livre de todo sofrimento.
Bom é a contenção dos olhos; bom é o controle sobre os ouvidos; bom é a contenção do nariz; bom é o controle da língua. Bom é a contenção do corpo; bom é a moderação na fala; bom é a moderação no pensamento. A contenção em todos os lugares é boa. O monge contido em todos os sentidos fica livre de todo sofrimento.

Comentário profundo

Este verso foi ensinado pelo Buda no Monastério Jetavana, a respeito de cinco monges. De acordo com a história, cinco monges, após receberem a essência dos ensinamentos do Buda, cada um tentou domar uma das cinco faculdades dos sentidos. Um dia eles se conheceram e discutiram. Cada um alegou que sua própria faculdade sensorial era a mais difícil de domar. Eles foram até o Buda, cada um explicando sua posição. O Buda evitou apontar qualquer monge como inferior. Ele disse: “Bhikkhus, todas as faculdades dos sentidos são difíceis de proteger. Esta não é a primeira vez que vocês falharam em proteger as cinco faculdades dos sentidos. O Buda então contou uma história passada. Em uma vida passada, ele foi o líder de cinco ministros que viajaram para a Cidade das Flores para receber um trono, mas a família real foi morta por demônios (yakkhas). Ao longo do caminho, os demônios os tentaram com sons, imagens, cheiros, comida deliciosa e belas mulheres. Os cinco ministros desconsideraram as advertências do Bodhisatva, apegaram-se e foram mortos. Somente o Bodhisatva se conteve e sobreviveu. Ele alcançou a Cidade das Flores e se tornou rei. Refletindo sobre isso, ele disse: “Deve-se usar o poder da própria vontade”. O Buda concluiu: “Os cinco ministros daquela época eram vocês, cinco monges. Aquele que chegou com segurança à Cidade das Flores e se tornou rei fui eu mesmo”. O Buda ensinou ainda: "Um monge deve guardar diligentemente todas as faculdades dos sentidos, pois somente restringindo as seis bases dos sentidos alguém pode se libertar do sofrimento." Restringir as seis faculdades dos sentidos é crucial na prática. Quem os guarda e domestica cuidadosamente certamente alcançará a costa da libertação. Para os monásticos, restringir as seis faculdades dos sentidos quando eles entram em contato com os seis objetos dos sentidos – não permitindo o apego ou a vinculação – é o que todos os Budas e Patriarcas aconselham constantemente. Tanto o samsara quanto a libertação surgem de nossas seis faculdades sensoriais. A história acima é um exemplo concreto. Como o Buda guardou suas faculdades sensoriais, ele alcançou a Cidade das Flores e se tornou rei. Por outro lado, os cinco ministros entregaram-se às suas faculdades com objetos dos sentidos e foram mortos. A Cidade das Flores simboliza o objetivo de libertação pelo qual todos os praticantes devem se esforçar. Alcançar esse objetivo não é fácil. Sem determinação feroz, concentração profunda e sabedoria aguçada, é muito difícil. No caminho existem inúmeros obstáculos, armadilhas e testes, especialmente as armadilhas dos cinco prazeres sensuais e dos seis objetos dos sentidos. Eles têm um fascínio extremamente poderoso. Sem guardar cuidadosa e rigorosamente as seis faculdades dos sentidos, um único momento de negligência pode levar rapidamente ao sofrimento.

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