Olhe! Você está agora como uma folha seca. Os mensageiros de Yama (a morte) se aproximam rapidamente. Você está no portal da partida. E não está preparado para a viagem.
Você é como uma folha murcha agora; os mensageiros da morte esperam por você. Você está na véspera de sua partida, mas não fez nenhuma provisão para sua jornada!

Comentário profundo

O Buda proferiu estes versos no Mosteiro Jetavana a respeito de um açougueiro em Savatthi que abateu gado por mais de cinquenta e cinco anos. Ao longo de sua vida, ele nunca fez nenhuma oferenda à Jóia Tríplice. Um dia, furioso porque sua esposa vendeu a um cliente o último pedaço de carne destinado ao seu jantar, ele cortou brutalmente a língua de uma vaca viva, grelhou-a e comeu-a. Instantaneamente, sua própria língua foi cortada e caiu no prato. Ele morreu em imensa agonia, imitando uma vaca moribunda, e renasceu no inferno Avici. Seu filho aterrorizado fugiu para outra aldeia, tornou-se um ourives de sucesso e constituiu família. Anos mais tarde, os netos do açougueiro retornaram para Savatthi, tornaram-se budistas devotos e procuraram guiar seu pai idoso em direção ao Dhamma. Eles convidaram o Buda para uma oferenda de esmolas. Reconhecendo a estagnação espiritual do velho, o Buda o advertiu: 'Velho, você é como uma folha murcha; os mensageiros da morte esperam por você. Você está à beira da morte, mas não reuniu provisões espirituais para a jornada que tem pela frente. Seja sábio, não tolo. Ao ouvir isso, o velho atingiu o primeiro estágio da iluminação (Sotapanna).

Este capítulo, 'Impurezas' (Malavaggo), destaca as impurezas causadas pelos cinco obstáculos (desejo sensual, má vontade, preguiça e torpor, inquietação e preocupação, e dúvida) que obscurecem a nossa sabedoria inata. Para erradicá-los, é preciso cultivar a concentração mental. O Buda compara uma vida não cultivada a uma folha murcha – significando decadência física e espiritual sob a lei da impermanência (Anicca). Deve-se praticar a atenção plena ao corpo e a meditação para estabilizar a mente. Nos versos subsequentes (236-238), o Buda enfatiza a criação de uma ilha de refúgio para si mesmo através da prática diligente, da purificação das impurezas mentais e do cultivo da sabedoria. A vida é passageira e marchamos constantemente em direção à morte sem descanso. Portanto, é preciso urgentemente reunir méritos saudáveis ​​e provisões espirituais para transcender o perigoso ciclo do samsara, garantindo a libertação do sofrimento e evitando as terríveis retribuições do carma negativo.

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