A cobiça nunca é satisfeita nem mesmo por uma chuva de ouro. Aquele que sabe que o prazer da paixão não só tem curta duração mas constitui a fonte da dor, é um homem sábio. (186) 14 “Sowan” (páli): O primeiro dos “quatro caminhos” sucessivos que conduzem ao Nirvana na prática da Ioga. (“Glossário Teosófico”, de H.P. Blavatsky, Ed. Ground.) (NT) 15 Sobre esta frase, veja o comentário ao versículo 218, no capítulo 16. (NT) 16 Tapas – a prática da austeridade. (NT) 24
Não há satisfação de desejos sensuais, mesmo com uma chuva de moedas de ouro. Pois os prazeres sensuais proporcionam pouca satisfação e muita dor. Tendo entendido isso, o homem sábio não encontra prazer nem mesmo nos prazeres celestiais. O discípulo do Buda Supremo deleita-se na destruição do desejo.
Comentário profundo
Este versículo foi ensinado no Mosteiro Jetavana a respeito de um monge que ficou insatisfeito com a vida monástica. Depois que seu pai faleceu, deixando-lhe uma pequena quantia em dinheiro, o monge considerou voltar à vida laica, acreditando erroneamente que essa riqueza poderia garantir sua felicidade. O Buda usou este incidente para ilustrar a natureza insaciável da ganância. Ele explicou que mesmo os grandes governantes do passado, que possuíam imensa riqueza, não conseguiam encontrar a verdadeira realização. A história destaca o fascínio perigoso do ganho material e o poder do apego. Seja monástico ou leigo, a principal tarefa do praticante é a erradicação da ganância, do ódio e da ilusão. Se uma pequena quantia de dinheiro pode atrapalhar a prática de um monge, quão mais vulnerável ele é às inúmeras tentações do mundo moderno? A verdadeira felicidade não é encontrada na satisfação de desejos materiais – como evidenciado por muitos monarcas, incluindo o próprio Buda, que abandonaram reinos em busca da iluminação – mas sim na transformação sistemática da ignorância e na cessação do desejo.
Este verso do Dhammapada, Capítulo 14, versículo 186, ensina que a cobiça e os desejos sensuais são insaciáveis. Mesmo uma abundância de riquezas não pode trazer satisfação duradoura.
O Buda explicou que os prazeres sensuais são efêmeros e, em última análise, uma fonte de sofrimento. Um homem sábio compreende essa verdade e não se apega a tais prazeres, nem mesmo aos celestiais. A verdadeira felicidade e a libertação vêm da erradicação do desejo, da ganância, do ódio e da ilusão.
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