Que ninguém negligencie o seu próprio bom trabalho em função do trabalho de outro, por melhor que este seja. Uma vez que o homem tenha identificado o seu próprio trabalho, que se dedique a ele. (166) [Nota:] O aforismo acima pode soar como egoísta. Ele significa que não se pode fazer o bem sem trabalhar a si mesmo, isto é, sem promover a autocultura – Atmartha. 000 13 Para o buscador da verdade, um dia de 24 horas tem três etapas: 1) sono e sonho; 2) trabalho; e 3) estudo e contemplação. A vida de uma pessoa têm três etapas: 1) infância e juventude; 2) maturidade; e 3) velhice. (NT) 22 O MUNDO
Que ninguém negligencie o próprio bem-estar pelo bem de outro, por maior que seja. Compreendendo claramente o próprio bem-estar, concentre-se no bem.

Comentário profundo

O Buda proferiu este ensinamento no Bosque Jeta sobre o Ancião Attadattha. Quando o Buda anunciou que entraria no Parinirvana em quatro meses, setecentos monges que ainda não haviam alcançado a iluminação ficaram dominados pela tristeza e permaneceram perto dele, sem saber o que fazer. O Ancião Attadattha, entretanto, resolveu lutar pelo estado de Arahant enquanto o Buda ainda estava vivo. Quando os outros monges questionaram seu súbito isolamento, o Buda elogiou Attadattha, declarando: "Aquele que realmente me respeita deve agir como Attadattha. A verdadeira reverência não é demonstrada apenas pela oferta de flores e incenso, mas pela prática diligente do Dhamma. Todos vocês devem seguir seu exemplo."

No Budismo, tanto o autobenefício (autocultivo espiritual) quanto o benefício dos outros são essenciais. Concentrar-se apenas nos outros e negligenciar o próprio progresso espiritual é um equívoco. O próprio Buda passou anos cultivando sua própria iluminação antes de avançar para ensinar e salvar outros. Não se pode salvar uma pessoa que está se afogando sem primeiro saber nadar. Attadattha demonstrou devoção genuína concentrando-se em sua própria libertação. O Budismo desencoraja uma mentalidade de dependência; a verdadeira prática requer autossuficiência. É preciso primeiro alcançar a paz interior e a sabedoria para compartilhá-la autenticamente com os outros. Negligenciar a prática pessoal enquanto tenta ensinar os outros é como contar o dinheiro de outra pessoa enquanto seus bolsos estão vazios, ou pastorear vacas para um mestre sem nunca provar o leite. A orientação espiritual autêntica requer uma realização pessoal genuína.

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